Apesar da chuva, nível dos reservatórios ainda é preocupante

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A chuva auxiliou na recuperação dos reservatórios que abastecem o Distrito Federal, mas a situação ainda é considerada grave e as medidas de uso consciente da água devem ser mantidas para evitar torneira vazia

O ano de 2017 será lembrado como o pior momento da crise hídrica do Distrito Federal. Mas, faltando quatro dias para a chegada de 2018, finalmente a seca dá uma trégua e o Reservatório do Descoberto, responsável pelo abastecimento de 1,5 milhão de habitantes, registra 27% do volume total. O índice está longe do ideal para esta época, porém, bem acima do registrado no mesmo período de 2016, quando as réguas mediram 22,6% da capacidade.

As altas no volume do reservatório são maiores do que o esperado pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa). No começo do mês, a autarquia divulgou a Curva de Acompanhamento para os reservatórios nos próximos meses, com metas a serem batidas. Para o fim de dezembro, o valor mínimo esperado para o Descoberto era de 11%, e a expectativa era a de terminar o período chuvoso, em maio, com pelo menos 50% do volume total. Ao atingir 27% da capacidade, o Descoberto, não só fica acima do dobro do esperado para o fim de dezembro, como supera o previsto para janeiro de 2018 (15%) e se aproxima do estimado para o fim de fevereiro (32%).
Três motivos principais explicam o aumento considerável na quantidade de água do Descoberto. O primeiro deles é a chuva. Com as precipitações de ontem, os medidores chegaram à marca de 254,8 milímetros acumulados no Distrito Federal em dezembro, quantidade 4% acima da média pluviométrica histórica de 246 milímetros para o período, segundo o Instituto de Meteorologia do Distrito Federal (Inmet). É o segundo mês seguido em que as médias históricas de chuva são superadas, um fato inesperado para um ano seco como foi 2017.
O segundo motivo é que a vazão do reservatório do Descoberto foi reduzida. Isso ocorre porque, desde agosto, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) tem feito obras para que regiões abastecidas pelo Descoberto passem a receber água do sistema Santa Maria-Torto. De acordo com a companhia, 370 litros de água por segundo estão deixando de sair do Descoberto devido à alteração. Inicialmente, a área atendida pela transferência era somente Guará I e II. Depois foram incluídas regiões do Lúcio Costa, do Núcleo Bandeirante, do Park Way e da Candangolândia. Na semana passada, outra parte do Park Way e do Núcleo Bandeirante e a Vila Metropolitana entraram na lista. A expectativa é de que as obras continuem no próximo ano e que a redução na vazão do Descoberto chegue a 700 l/s.
A possibilidade de realizar essa transferência ocorre diante da inauguração das captações no Bananal e no Lago Norte, que, agora atendem regiões que antes eram abastecidas pelo Santa Maria. Os custos das obras estão sendo cobertos pelos fundos arrecadados com a tarifa de contingência, uma taxa cobrada entre outubro de 2016 e maio deste ano para residências com gasto superior a 10 mil litros cúbicos por mês.
O terceiro motivo que explica a melhora no nível do Descoberto é a chegada das águas subterrâneas. “As chuvas que caíram em outubro e novembro começaram a se infiltrar no subsolo, o que faz com que a recuperação do volume dos reservatórios seja mais rápido, como está ocorrendo agora”, afirma o ecossociólogo Eugênio Giovenardi. O especialista relembra que a forte estiagem atrasou o processo. “É como se os poros da terra fossem fechados. Quando volta a chover, a água demora mais tempo para se infiltrar, pois o recurso tem que abrir espaço novamente”, detalhou.
*Com informações do Correio Braziliense

João Alberto

Jornalista: DRT 0008505/DF. Radialista, Escritor e Poeta

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