A história do Gurgel e o primeiro carro elétrico da América Latina
Conheça a história da Gurgel e do primeiro carro elétrico da América Latina, um marco da indústria automotiva brasileira.
No fim da década de 1960, um engenheiro paulista ousou desafiar um mercado globalmente bem estabelecido para realizar um sonho de ter a própria montadora de carros. O resultado foi a Gurgel, que se tornou referência no setor e lançou modelos que marcaram a indústria nacional.
A trajetória da marca é relativamente curta, apesar de marcante: foram jipes para estradas de terra, modelos de produção totalmente local e até automóveis elétricos urbanos, muito antes da atual onda desse tipo de veículo.
Passando por turbulências econômicas e políticas, a companhia não sobreviveu a uma série de mudanças de mercado. Ainda assim, é importante e curioso conhecer ou relembrar a história dessa companhia, ainda muito lembrada por fãs de automóveis de diferentes gerações.
Quem foi João Gurgel?
O empresário João Augusto Conrado do Amaral Gurgel nasceu em 1926. Apaixonado por veículos, ele consertava bicicletas e carrinhos de brinquedo quando jovem, com a paixão virando carreira ao entra para uma faculdade de Engenharia Mecânica na Universidade de São Paulo (USP).
Em 1949, perto de se formar, apresenta como conclusão de curso o “Tião”, um carro totalmente fabricado e montado no Brasil. O professor, porém, aconselhou ele de que “carro não se fabrica, se compra” no país. João mudou o projeto e pegou o diploma, mas nunca se esqueceu do desafio.
Ele foi para os Estados Unidos e trabalhou na General Motors, além de ser funcionário na Ford do Brasil, de onde se demitiu pra buscar o sonho de lançamento de uma companhia própria. Em 1958, ele abre com um capital ainda pequeno a fábrica de luminosos de fibra Moplast, virando fornecedor para várias empresas.
Dentro dela havia a Mokart, uma divisão que fazia karts pra competição e minicarros pra crianças. Já em 1964, ele sai da primeira companhia e abre a Macan, uma concessionária revendedora da Volkswagen, aproveitando os seus contatos feitos nos anos anteriores.
O nascimento da montadora Gurgel
Com o nome de João já estabelecido na indústria automotiva, o dia 1º de setembro de 1969 é marcado pela fundação em São Paulo da Gurgel Indústria e Comércio de Veículos. A ideia de criar um carro brasileiro chamou até atenção da Volkswagen, que solicitou um protótipo e gostou da ideia: a marca expôs ele em um Salão do Automóvel de 1966 e forneceu chassi, suspensão e motor.
O primeiro carro da montadora foi o buggy Ipanema, com fibra de vidro e boa capacidade para vários terrenos — fator importante em um Brasil ainda longe de ter o asfalto como realidade em muitas cidades.
Em 1975 e expandindo, é inaugurada uma grande fábrica da Gurgel em Rio Claro, São Paulo, que vai expandir a ainda modesta linha de montagem da marca.
O modelo elétrico era viável?
Mesmo, somando variantes posteriores como o E500, o volume total de venda dos carros elétricos da Gurgel não passou das 1 mil unidades. Apesar de ser viável em termos de fabricação, ele não conseguiu escalar essa produção e nem converter o interesse inicial em vendas.
Os problemas incluíam principalmente as baterias da época: elas eram caras, pesadas, limitadas em potência e com vida útil bastante curta. Além disso, havia pouco preparo do país para esse tipo de fonte de energia e também baixo interesse do consumidor.
Com a superação global das crises do petróleo, que tinham motivado Gurgel e outras montadoras a investirem nessa tecnologia, a própria montadora manteve a priorização de modelos a combustível.
*Com informações da TecMundo
